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CTIN0802/CG-Bauru-Guara
LÍNGUA PORTUGUESA
Leia o texto para responder às questões de números 11 a 16.
T
EXTO I
O caçador de maravilhas
Os empresários ocidentais que viajam à China de olho nas
prodigiosas riquezas que o país produz, de certa forma, refazem
uma jornada ocorrida há sete séculos, quando os Polo, os irmãos
Matteo e Niccolo e seu filho Marco, cruzaram a Ásia para serem
acolhidos na corte do imperador Kublai Khan (neto de Gengis
Khan).
Pioneiros na literatura de viagem, os relatos de Marco, reuni-
dos sob o título O livro das maravilhas, tornaram-se populares à
época e contaram com leitores famosos como Colombo.
Marco Polo nasceu, no século 13, provavelmente em Veneza,
onde sua família era reconhecida como de grandes comerciantes.
Foi educado de acordo com sua posição social. Quando o tio e
o pai voltavam para a China, em uma segunda viagem, Marco
integrou a comitiva. Por ser considerado um dos preferidos do
imperador, tornou-se um vassalo chinês, tendo realizado várias
missões.
Marco descreveu a potência do império chinês: sua produção
de ferro e de sal, muito superiores à da Europa. Havia, ainda, um
sistema de transporte fluvial e um correio eficientes que permitiam
a comunicação do imperador com seus súditos e, surpreenden-
temente para os venezianos, o uso de papel-moeda na economia
local. Ele, seu pai e tio ficaram na China por 17 anos. De volta a
Veneza, dedicou-se ao comércio, como rezava a tradição familiar,
até sua morte.
O livro foi lido até o século 19 apenas como diversão, quando
passou a ser alvo de revisão crítica e avaliação dos conteúdos
científicos.
Observador atento, ele pontuou várias diferenças culturais,
como, por exemplo, que o bócio apresentado por habitantes de
uma região tinha origem na água consumida no local; em outra
província, registrou que, quando um marido se ausentava por
mais de 20 dias, era substituído por outro, com a concordância
da comunidade, e ele próprio tinha o direito de relacionar-se
com outras mulheres. No Tibete, após o nascimento dos bebês,
as mulheres voltavam ao trabalho enquanto os homens ficavam
40 dias deitados.
Há dúvidas quanto à real autoria do livro: para alguns, quem
o escreveu foi o trovador Rustichello de Pisa, com quem Marco
esteve preso, em Gênova, por um ano. Alguns cientistas afirmam
que as histórias relatadas por Marco Polo vieram de muitos mer-
cadores que passavam pela Pérsia; outros asseguram que a origem
das histórias são as obras de um historiador judeu.
Aqueles que duvidam da autoria da obra argumentam que ele
não descreveu ações cotidianas dos chineses que certamente cha-
mariam a atenção de um estrangeiro, como a importância do chá,
a caligrafia, os pés enfaixados das mulheres ou mesmo a Grande
Muralha. Pesquisadas as rotas, no entanto, ficou comprovado que
muitas das informações são verdadeiras.
Seja Marco Polo o autor ou apenas o narrador e sejam os
relatos ficção, o fato é que a obra sobreviveu aos séculos e é lida
com prazer até hoje.
(Planeta, junho de 2008. Adaptado)
11. De acordo com o artigo transcrito, os relatos de O livro das
maravilhas
(A) são aceitos, sem discordância quanto à sua autoria e
veracidade.
(B) comprovadamente não são de Marco Polo, e sim de um
trovador italiano.
(C) independentemente da autoria, descrevem rotas, costu-
mes e características de povos, nas terras orientais.
(D) têm comprovada a autoria de Marco Polo, não restando
dúvida quanto à veracidade dos relatos.
(E) são produto inconteste de relatos de muitos mercadores
persas, conhecidos de Marco Polo.
12. Com base na leitura do texto, é possível afirmar que
(A) as rotas de comércio estabelecidas entre a Europa e o
Oriente, no século 13, são fictícias.
(B) Marco Polo registrou diferenças culturais entre os locais
por onde as missões comerciais passavam.
(C) a ausência de traços culturais próprios da China teve pouco
valor na discussão quanto à autoria dos relatos de Polo.
(D) os Polo desprezaram a cultura do império chinês, já que
era muito semelhante à européia.
(E) os relatos de Marco Polo ficaram desconhecidos até o
século 20, quando cientistas os divulgaram para descre-
denciá-los como verdadeiros.
13. Na frase – Desde então dedicou-se ao comércio, como rezava
a tradição familiar – o significado de rezava está expresso
na alternativa:
(A) A comunidade rezava para a padroeira da cidade, em
procissão.
(B) Rezava em silêncio, com olhos súplices para a imagem
da devoção.
(C) A demente percorria as ruas e rezava palavras incompre-
ensíveis.
(D) Conforme rezava a lenda do conde Drácula, seus súditos
eram mortos-vivos.
(E) O padre rezava a missa, ajudado por fiéis coroinhas.
14. O título – O caçador de maravilhas – relaciona-se significa-
tivamente com todo o texto porque
(A) se refere aos safáris praticados pelos europeus.
(B) se refere à prática da caça pelos europeus em terras
orientais.
(C) identifica a atividade de Polo, nas missões para as quais
o imperador chinês o designou.
(D) denota o olhar de indiferença do europeu em relação ao
mundo chinês.
(E) remete à expectativa do europeu em terras estrangeiras.